Alvos de operação contra PCC já apareceram em outras investigações; veja histórico

  • 21/07/2026
Ministério Público e polícia de São Paulo fazem operação contra lavagem de dinheiro do PCC A Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo, representa o ponto mais recente de uma sequência de investigações que, ao longo dos últimos anos, passaram a conectar operadores financeiros, integrantes do PCC e agentes públicos suspeitos de facilitar ou proteger atividades da facção criminosa. A ofensiva desta semana mira uma organização especializada em lavar dinheiro do crime organizado e, pela primeira vez, reúne elementos que indicam uma possível rede de influência envolvendo oficiais de alta patente da Polícia Militar. A investigação é resultado direto de provas produzidas em operações anteriores e amplia o mapa das conexões financeiras da facção. Recidere: a origem da investigação A primeira peça desse quebra-cabeça surgiu com a Operação Recidere, deflagrada pela Polícia Federal em 2023 para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que movimentou cerca de R$ 4 bilhões por meio de empresas de fachada e contas bancárias de laranjas. Na época, o principal alvo era o doleiro Leonardo Meirelles, ex-sócio de Alberto Youssef na Lava Jato. A investigação mirava crimes contra o sistema financeiro, mas a análise do material apreendido revelou indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e ligações entre operadores financeiros e integrantes do PCC. Essas descobertas deram origem a novas frentes investigativas que, anos depois, desembocariam na Operação Janus. Bazaar: corrupção dentro da Polícia Civil O passo seguinte ocorreu em março de 2026, com a Operação Bazaar. Também derivada da Recidere, ela mudou o foco das investigações: dos operadores financeiros para a suspeita de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. A investigação apontou que policiais civis, advogados e doleiros teriam transformado departamentos estratégicos da corporação em um esquema de venda de proteção, cobrança de propinas e obstrução de investigações. Entre os presos estavam quatro policiais civis, advogados e a doleira Meire Poza, enquanto Leonardo Meirelles voltou a ter a prisão decretada, embora continuasse foragido. Mais importante para a Janus foi o conteúdo dos celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos na Bazaar. Segundo a decisão judicial, a perícia nesses equipamentos permitiu que os agentes identificassem a ligação entre os operadores financeiros investigados e integrantes do PCC, ampliando significativamente a compreensão da estrutura financeira da facção. Salus et Dignitas: o elo com Léo do Moinho Outro ponto de conexão veio da Operação Salus et Dignitas, realizada em 2024 para combater o PCC e grupos criminosos na região da Cracolândia. Na ocasião, foi preso Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como um dos chefes da facção na Favela do Moinho. Na Janus, Léo do Moinho aparece como um dos principais clientes da estrutura de lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, ele utilizava os operadores financeiros para adquirir bens em nome de terceiros e ocultar recursos provenientes do tráfico. Um dos aparelhos apreendidos com ele na Salus et Dignitas também passou a integrar o conjunto de provas utilizado na nova investigação. Fim da Linha e Tai-Pan ampliam as conexões A decisão judicial da Janus também faz referência a outras duas investigações que ajudam a contextualizar os personagens envolvidos. Uma delas é a Operação Fim da Linha, de 2024, que investigou a lavagem de dinheiro do PCC por meio das empresas de ônibus UpBus e Transwolff. Alexandre Salles Brito, conhecido como "Buiu" e um dos investigados na Janus, já figurava como réu no núcleo relacionado à UpBus. A outra é a Operação Tai-Pan, da Polícia Federal, que desarticulou uma organização especializada em movimentar bilhões de reais por meio de um sistema financeiro clandestino internacional. Na Janus, ela é citada por causa da relação entre a doleira Meire Poza — investigada na Bazaar — e o policial civil Cyllas Salernno Elias Júnior, denunciado por lavagem de dinheiro associada ao PCC. Quem são os investigados que atravessam as operações A lista de alvos da Operação Janus também ajuda a mostrar como as investigações foram se conectando ao longo dos últimos anos. Alguns dos investigados aparecem em mais de uma apuração e funcionam como elo entre diferentes esquemas de lavagem de dinheiro, corrupção e atuação do PCC. Entre eles está Leonardo Meirelles, considerado um dos principais alvos da Operação Recidere, em 2023, que investigou um esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro de R$ 4 bilhões. Ele voltou a aparecer como investigado na Operação Bazaar, acusado de integrar o esquema de corrupção envolvendo policiais civis, e agora figura entre os alvos da Janus. A doleira Meire Bonfim da Silva Poza também aparece em mais de uma investigação. Ela foi presa na Bazaar, apontada como responsável pela contabilidade do grupo e pelo pagamento de propinas a policiais. Na Janus, volta a ser investigada e também é citada em razão de sua relação com o policial civil Cyllas Salernno Elias Júnior, investigado na Operação Tai-Pan. Os advogados Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana também foram presos durante a Operação Bazaar e agora voltam a aparecer entre os investigados da Janus. Já Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiú, aparece como investigado na Janus e também é citado na Operação Fim da Linha, que apurou o uso de empresas de ônibus para lavar dinheiro do PCC. Segundo a decisão judicial da Janus, ele integra o núcleo relacionado à empresa UpBus. O g1 buca contato com as defesas dos investigados.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/21/alvos-de-operacao-contra-pcc-ja-apareceram-em-outras-investigacoes-veja-historico.ghtml


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