Entre cápsulas e ciência, criadores de conteúdo traduzem paixão pelo café em linguagem e objeto de estudo
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Publicitário e empresário traduzem paixão pelo café em conteúdo digital e objeto de estudo
Para alguns, o café é apenas parte da rotina. Para outros, a bebida se transforma em paixão e ponto de partida para produção de conteúdo, experimentação e até investigação científica.
O publicitário e professor universitário César Bechara e o empresário Álvaro Magri, ambos de São José do Rio Preto (SP), compartilham um interesse comum que vai além da xícara: entender e testar o café em suas múltiplas dimensões.
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Embora partam de caminhos diferentes, ambos ajudam a explicar por que a bebida ocupa uma posição tão importante no dia a dia das pessoas. Em média, os brasileiros consomem quatro xícaras por dia, impulsionando um dos maiores mercados do mundo.
Café
Reprodução/EPTV
Praticidade como ponto forte
A relação de César Bechara com o café nasceu de forma despretensiosa. Sem hábito de consumir a bebida na juventude, ele passou a apreciar o café com mais frequência após adquirir uma máquina de cápsulas.
A praticidade abriu espaço para a curiosidade e, depois, para a criação de conteúdo, que surgiu de forma espontânea, ao compartilhar receitas e experimentos com amigos. Com o tempo, ganhou público e consistência. Atualmente, ele tem mais de 3,6 mil seguidores em uma rede social.
O publicitário e professor universitário César Bechara, de Rio Preto (SP), prefere soluções rápidas e versáteis, explorando em seus vídeos diferentes intensidades e aromas proporcionados pelas cápsulas de expresso
César Bechara/Arquivo pessoal
Bechara aposta em uma abordagem acessível, com conteúdo voltado ao cotidiano. Com rotina intensa, prefere soluções rápidas e versáteis, explorando diferentes intensidades, aromas e formatos.
“É uma forma de mostrar que o café pode ser simples, prático e ainda assim interessante. Eu gosto de café especial, mas o processo de moer grãos e preparar é mais demorado. As cápsulas permitem variar ao longo do dia, testar intensidades e aromas sem complicação”, explica o publicitário ao g1.
Esse consumo fragmentado também se reflete na quantidade: ele costuma ingerir pequenas doses ao longo do dia, variando de dois até seis expressos, dependendo da rotina.
Entre goles quentes e gelados, testa combinações que vão de perfis clássicos a opções aromatizadas, com notas como baunilha, caramelo ou especiarias.
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Memória afetiva
Em outro extremo está Álvaro Magri, cuja relação passa por memória afetiva e investigação. Neto de um produtor rural que cultivava café de maneira familiar, ele retomou o contato com a bebida anos depois.
O motivo foi uma mudança alimentar: Álvaro e a esposa desenvolveram intolerância à lactose e passaram a buscar alternativas para o café da manhã. Foi nesse processo que ele descobriu os grãos especiais e seus benefícios.
O empresário Álvaro Magri, de Rio Preto (SP), cria vídeos com uma postura investigativa, baseada em metodologia científica, para compreender o universo do café
Álvaro Magri/Arquivo pessoal
Com formação em Ciências da Computação, Magri adotou uma postura investigativa, baseada em metodologia científica, para compreender um universo novo para ele.
“A ideia é mostrar o porquê das coisas relacionadas ao café. É traduzir o conhecimento para o público”, afirma. O movimento também surgiu como reação a conteúdos que, segundo ele, circulavam na internet sem embasamento técnico.
Suas publicações abordam desde dúvidas comuns, como técnicas de preparo, até aspectos mais complexos, como variáveis físico-químicas que influenciam sabor e aroma. Hoje, ele dialoga com mais de 23 mil seguidos.
“O café parece simples, mas é uma bebida extremamente complexa, mais do que o vinho”, afirma.
Essa complexidade também orienta sua visão sobre qualidade. Para Magri, um bom café envolve equilíbrio técnico — menor amargor e maior riqueza de notas —, mas também depende da experiência sensorial individual.
Álvaro prefere moderação e planejamento como uma forma de se precaver contra os efeitos da cafeína e desfrutar da qualidade da bebida. Pela manhã, divide com a esposa cerca de 300 ml de café coado. À tarde, prepara cappuccinos para ambos.
Do ponto de vista pessoal, um “bom café” é aquele que proporciona experiências sensoriais, independentemente de estar na base ou no topo da pirâmide de qualidade. “O que vale é o perfil sensorial que ele desperta nas pessoas”, explica.
César Bechara e Álvaro Magri, ambos de Rio Preto (SP), são exemplos de que o café deixou de ser um hábito automático para tornar-se experiência, linguagem e objeto de estudo
Fotos: César Bechara/Álvaro Magri/Arquivos pessoais
Tendências de consumo
Apesar dos contrastes, Bechara e Magri refletem um movimento maior: o café deixou de ser apenas um hábito automático para se tornar experiência, linguagem e até objeto de estudo.
No Brasil, onde o consumo interno chega a quase 22 milhões de sacas anuais e representa cerca de 40% da produção nacional, os amantes da bebida seguem se reinventando.
O publicitário chama a atenção para estudos de consumo, que apontam o crescimento das bebidas prontas à base de café, conhecidas como “pronta-para-beber” (“ready to drink”), e para a ampliação do consumo de cafés gelados nos próximos anos.
“Existe uma mudança gradual no comportamento. O café deixa de ser só uma bebida quente e passa a ser mais versátil, mais presente em diferentes momentos e formatos”, observa Bechara.
Esse movimento também acompanha transformações culturais, ressalta o publicitário. O café, além de produto, ganha força como elemento de sociabilidade, presente em encontros, reuniões e espaços de convivência.
Café
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